O Emprego Correto de Alguns Termos Geológicos

Adaptação de texto de Pércio de Moraes Branco por Andrea Sander e revisão de Irinea Barbosa da Silva


Há muitos termos geológicos empregados na denominação de minerais e de suas propriedades, relacionados aos bens minerais, que são semelhantes e podem causar confusão, e que dizem respeito a feições descritivas de rochas e afloramentos. Outros termos podem ser escritos de duas formas diferentes, e alguns tiveram a grafia atualizada. Confira aqui alguns dos problemas mais comuns encontrados na terminologia geológica e sua correta utilização.

Com Relação às Gemas

Diamante/Brilhante

O diamante é um mineral, porém se apresentar transparência é uma gema. Brilhante é um tipo de lapidação, o mais usado para diamantes, mas empregado também em muitas outras gemas (Figura 1). Só se pode chamar um diamante de brilhante se ele estiver lapidado daquela forma. Todos os outros minerais devem ser chamados pelo seu próprio nome, mesmo quando têm lapidação brilhante (Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 10630).

Figura 1 – (A) Diamante bruto e (B) Diamante lapidado no formato brilhante. Fonte: GIA (2021a)

Face/Faceta

Ao descrever um cristal natural, fala-se em faces cristalinas, mas quando trata-se de uma gema lapidada, fala-se em facetas (Figura 2).

Figura 2 – (A) Cristal bruto de água-marinha bem-formado com suas faces; (B) Água-marinha lapidada com suas facetas. Fonte: (A) Gems and Cornes (s.d.); (B) GIA (2021b)

Quilate (K)/Quilate (ct)

O símbolo K para quilate designa a porcentagem em ouro de uma liga. Assim, o ouro puro (100% de ouro) é chamado ouro 24 quilates. Logo, o ouro 18 K, usado em joias, tem 75% de ouro e 25% de outros metais (18 x 100 ÷ 24 =75%, que também é representado por ouro18/24). O teor de ouro pode ser expresso em milésimos: ouro 1.000 (100 % Au), ouro 750 (75% Au).

Por que misturar o ouro a outros metais? O ouro puro tem dureza 2 na escala de Mohs, esta é uma dureza muito baixa, o que impede que o ouro puro seja usado em joalheria. Um anel de ouro puro amassaria e perderia a sua forma com um simples aperto de mão, por exemplo. Por isso, o ouro sempre é misturado com algum outro metal, formando ligas, que dão dureza à peça e também nuances de cor. A Figura 3 apresenta algumas ligas comuns para o ouro e suas cores.

Figura 3 - Ligas comuns para o ouro e suas cores

O símbolo ct para quilate designa o quilate métrico, que mede a massa de gemas. Essa unidade vale 200 miligramas (ou 0,2 gramas). Portanto, uma esmeralda de 2 ct tem 400 mg. O quilate métrico subdivide-se em 100 pontos. Logo, um ponto vale 0,01 ct e tem 2 mg. A Figura 4 traz uma comparação entre as duas unidades de medida.

Figura 4 – Comparação entre quilate (K) e quilate (ct)

O peso em quilates (ct), por si só, não determina o valor da gema. Duas pedras de mesmo quilate podem variar muito em valor, considerando a pureza, cor e lapidação. Além disso, duas pedras com tamanhos aproximados e mesma lapidação não têm necessariamente o mesmo quilate, pois uma delas pode ter maior profundidade e, consequentemente, um peso maior, porém é possível fazer uma estimativa aproximada. A Figura 5 compara o tamanho da pedra e o e o seu quilate (ct).

Figura 5 – Comparação do tamanho de um diamante em milímetros e o valor em quilates aproximado, bem como a comparação de diamantes de diferentes quilates com a mão humana. Fonte Ken & Dana Design (s.d.)

Pedra Preciosa/Pedra Semipreciosa

A separação das gemas em preciosas e semipreciosas é confusa e formalmente condenada em normas técnicas da ABNT e de entidades internacionais, como Conféderation Internationale de Ia Bijouterie, Joaillerie, Orfévrerie, des Diamants, Perles et Pierres (CIBJO). Se o mineral tem qualidade para ser usado em joalheria, deve ser denominado gema ou pedra preciosa, seja qual for o valor da pedra (Figura 6). Para saber mais, consulte: Pedras Preciosas e Semipreciosas.

Figura 6 – (A) Ametista bruta e (B) Ametista lapidada. Fonte: GIA

Gema (ou Pedra Preciosa) Sintética/Gema (ou Pedra Preciosa) Artificial

Em se tratando de gemas, sintético não é sinônimo de artificial. Chama-se de sintética a gema que existe na natureza, mas foi produzida em laboratório, como o rubi sintético e a esmeralda sintética.

São chamadas de artificiais, as gemas produzidas em laboratório e sem equivalentes naturais conhecidos, como o yag (yttrium-aluminium-garnet) e a zircônia cúbica. Já as imitações são simulacros das gemas naturais, repetindo sua cor e a aparência. As imitações são diferentes das gemas sintéticas, distinguindo-se das gemas naturais e sintéticas pelas propriedades físicas e pela diferença na composição química (Figura 7).

Figura 7 – (A) Conjunto de opalas: natural, sintética e imitação em plástico; (B) Rubi sintético a partir de dois métodos distintos: processos de crescimento de fluxo (à esquerda) e fusão por chama (à direita). / Fonte: (A) Firemountaingems; (B) GIA

Adicionalmente, deve-se evitar o uso da palavra "pedra" antes do nome de uma gema, não é correto o uso de pedra ágata e pedra ametista, mas simplesmente ágata e ametista.

Com Relação às Propriedades dos Minerais

Branco/Incolor

Não chame de branco o que é incolor. Branco é o corpo que reflete todas as cores; incolor é o que deixa passar todas as cores. Um mineral branco é necessariamente opaco; um cristal incolor é necessariamente transparente, mas não use transparente como sinônimo de incolor (Figura 8).

Figura 8 – (A) Quartzo incolor; (B) Quartzo branco (leitoso). Fonte: (A) Mindat; (B).Treasuremountainmining

Opaco/Fosco

Opaco é o corpo que não deixa passar a luz ou outra radiação. Fosco é o corpo que não tem brilho. Um objeto que não é opaco, pode ser transparente ou translúcido. Um objeto, que não é fosco, é brilhante (Figura 9).

Figura 9 – (A) Hematita opaca e brilhante; (B) Hematita opaca e fosca; (C) Hematita translúcida. Fonte: Mindat

Dureza alta ou baixa/Minerais moles e duros

Evite dizer que os minerais são moles ou duros. Descreva-os em termos de alta dureza ou baixa dureza. Ex.: topázio e coríndon têm alta dureza; talco e gipsita têm dureza baixa (Figura 10).

Figura 10 – Escala de Dureza relativa de Mohs. Fonte: CPRM. SBGEduca.

Massa Específica/Densidade Relativa/Peso Específico

A massa específica e a densidade relativa têm numericamente o mesmo valor, mas são conceitualmente diferentes. A massa específica é a massa de um corpo homogêneo contida na unidade de volume. É medida, no sistema internacional, em quilogramas por metro cúbico. Geralmente, para os minerais, usa-se grama por centímetro cúbico e, para minérios, toneladas por metro cúbico.

A densidade é o quociente entre a massa específica de uma substância e a massa específica de outra tomada como padrão (para sólidos e líquidos o padrão adotado é a água a 4° C; para gases, usam-se o ar e o hidrogênio). Portanto, é um número puro. A massa específica do quartzo, por exemplo, é 2,60 g/cm³ e sua densidade é 2,60. Já o peso específico é o peso por unidade de volume de um corpo e é calculado multiplicando-se a massa específica do material (em kg/m3) pela aceleração percentual da gravidade (em m/s²). No exemplo do quartzo, seu peso específico é 2,65 kN/m³.

Microfotografia/Fotomicrografia

A microfotografia é uma fotografia de dimensões reduzidas, como os microfilmes e microfichas. A fotomicrografia é uma foto normal de um objeto de dimensões reduzidas, obtida através de um microscópio ou de outro equipamento de aumento. Portanto, a microfotografia é uma redução e a fotomicrografia é uma ampliação (Figura 11).

Figura 11 – (A) Microfilme de revista científica; (B) Fotomicrografia de um basalto em aumento de 25X, em luz polarizada cruzada e escala gráfica de 1,0 mm. Fonte: (A) Slideplayer; (B) Andrea Sander

Com Relação aos Bens Minerais

Depósito Mineral/Jazida/Mina

Depósitos minerais são acumulações ou concentrações de uma ou mais substâncias úteis, metálicas ou não metálicas, originalmente encontradas dispersas nas rochas, que foram aglutinadas por processos geológicos diversos. Uma massa de substância mineral de valor econômico existente na natureza é uma jazida.

A jazida, com todos os equipamentos e instalações necessários à extração do minério nela contido, constitui uma mina. Portanto, embora seja comum notícias de descoberta de mina de ouro (ou minério de chumbo, de calcário, entre outros bens minerais), não se descobre uma mina, mas descobre-se uma jazida (Figura 12).

Figura 12 – (A) Jazida de Carajás; (B) Vista aérea de Carajás; (C) Vista aérea da Mina Serra Sul 120, em Canaã dos Carajás. Fonte: (A) Vale (B) Wikipedia ; (C) Diário do Nordeste

Isso também vale para o petróleo, pois não se descobre um poço de petróleo, mas uma jazida de petróleo. O poço é uma obra feita para procurar o petróleo e, depois de encontrado, para extraí-lo.

Prospecção/Exploração/Explotação/Lavra

A prospecção é a fase inicial da pesquisa de um bem mineral, consiste em um conjunto de técnicas relativas à pesquisa, localização precisa e estudo preliminar de uma jazida mineral ou petrolífera.

A exploração é a fase do trabalho geológico que envolve a pesquisa, quando são realizadas a abertura de trincheiras e as sondagens, entre outras atividades destinadas a determinar o teor do minério (Figura 13).

Figura 13 – (A) Sonda rotativa; (B) Testemunhos de sondagem de rocha recuperados e organizados em caixas de acordo com a profundidade do qual foram retirados; (C) Trincheira exploratória. Fonte: Técnicoemineração

Para a fase de extração do minério, os termos adequados são explotação ou lavra, por exemplo: Encerrada a fase de exploração, imediatamente, é feito o cálculo das reservas, para mostra a viabilidade da lavra a céu aberto (Figura 14).

Figura 14 – (A) Mina a céu aberto (Mina de Candiota – RS); (B) Mina subterrânea. Fonte: CRM, (B) Técnicoemineração

Recurso Mineral/Minério

O termo recurso mineral encerra a noção de concentração acima dos teores considerados normais na natureza. Os recursos minerais são os materiais inorgânicos, naturais, como minerais ou rochas, potencialmente úteis, e que podem ou não ser economicamente exploráveis. Eles podem ser recursos reais, potenciais e hipotéticos.

Já o termo minério encerra a noção de economicidade. O minério é um recurso mineral de valor que pode ser explorado economicamente. Um minério deve obedecer a requisitos geológicos e econômicos como: teor, volume, preço do metal, custo da lavra, custo do beneficiamento, custo do transporte e a infraestrutura disponível no local da lavra, como a disponibilidade de energia. O minério, em geral, é composto do bem mineral e dos minerais ou rocha que o hospeda, que não tem valor econômico e que são denominados de ganga (Figura 15).

Figura 15 – Formação ferrífera bandada, minério de ferro. Fonte: Geologylearn.

Teor de Corte

O teor de corte (também chamado de cut of) é o teor mínimo exigido para que um mineral seja economicamente viável para ser extraído (ou processado). O material encontrado acima desse teor é considerado minério, enquanto o material abaixo desse teor é considerado resíduo. O teor de corte pode ser determinado por diversos métodos, com complexidade variável, e se modifica conforme as mudanças do contexto econômico em relação aos preços dos metais e custos de mineração. O valor do metal não é o único fator que afeta a lucratividade de um bloco de minério e, consequentemente, seu teor de corte. A presença de material indesejado em um bloco de minério pode aumentar o custo de processamento e isso também é considerado ao classificar estéril e minério.

As Terras-Raras

As terras-raras são óxidos, não elementos químicos. Os elementos da série dos Lantanídios somados ao escândio e o ítrio, constituem os elementos de terras-raras (ETR); seus óxidos é que são as terras-raras. As terras-raras são um substantivo feminino que deve ser grafado no plural e com hífen: as terras-raras.

Os elementos de terras-raras (ETRs ou REEs - Rare Earth Elements), também chamados de metais de terras-raras ou lantanídeos, são um conjunto de 17 metais pesados. São eles o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), mais o escândio (Sc) e ítrio (Y), que não são lantanídeos (Figura 16).

Figura 16 – Tabela Periódica com os Elementos de Terras-Raras. Fonte: Civilsdaily

Mesmo sem pertencer a família dos lantanídeos, o escândio e o ítrio estão incluídos no grupo dos ETRs porque ocorrem nos mesmos depósitos minerais que os lantanídeos e têm propriedades químicas semelhantes. O termo “terra rara” é uma designação incorreta, pois os elementos de terras-raras são abundantes na crosta terrestre. No entanto, raramente os ETRs são encontrados concentrados em grandes depósitos, em geral, estão disseminados entre outros elementos e são de difícil separação devido à semelhança entre suas propriedades. O elemento túlio (Tm), é o mais raro do grupo e pode ser encontrado com uma concentração de 0,5 ppm (partes por milhão ou 0/00) na crosta terrestre, concentração superior aos elementos ouro, prata, platina, mercúrio e cádmio, entre outros.

Esses elementos químicos têm propriedades peculiares, como magnetismo intenso e absorção e emissão de luz, que fazem com que sejam usados numa infinidade de aplicações tecnológicas, como lâmpadas de LED, lasers, super ímãs presentes nos discos rígidos de computadores e motores de carros elétricos, e na separação de componentes do petróleo. A maioria dos ETRs são utilizados na fabricação de catalisadores e ímãs para tecnologias tradicionais e de baixo carbono. Outros usos dos ETRs são a produção de ligas metálicas especiais, vidro e eletrônicos de alto desempenho.

Ligas de neodímio (Nd) e samário (Sm) são usadas para criar ímãs fortes que resistem a altas temperaturas, tornando-os ideais para uma ampla variedade de aplicações eletrônicas e de defesa, como óculos de visão noturna, armas guiadas, equipamentos de comunicação, GPS, baterias entre outros componentes eletrônicos de defesa. Adicionar ETRs nas ligas, altera o desempenho e as propriedades dos ímãs. O ímã mais forte conhecido é uma liga de neodímio com ferro e boro.

Motores de veículos híbridos e elétricos, geradores em turbinas eólicas, discos rígidos, eletrônicos portáteis e telefones celulares requerem esses ímãs e o uso desses elementos. Por exemplo, um megawatt de capacidade de energia eólica requer 171 kg de terras-raras para ser gerado e a fabricação de um carro elétrico Prius exige 1 kg de neodímio e cerca de 25 kg de lantânio.

A China possui as maiores reservas e lidera a produção mundial de ETRs, com 44 milhões de toneladas em reservas e 140.000 toneladas de produção anual nas suas minas. O Vietnã e o Brasil têm a segunda e a terceira maior reserva de metais de terras-raras, respectivamente, com 22 milhões e 21 milhões de toneladas, porém nesses dois países a produção de ETRs está entre as mais baixas de todos os países produtores, com apenas 1.000 toneladas por ano cada um.

Com Relação a Feições de Afloramentos

Acamamento/Acamadamento

Os autores Branco (2015), Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP, 2021), Aurélio (2018) e Houaiss (2009) registram acamamento, mas não acamadamento. Branco (2015) destaca que esse é um dos casos em que a palavra existe como possibilidade, está dentro das normas morfológicas e pode, portanto, ser usada. Já o Glossário Geológico do SIGEP (WINGE, 2018) define que acamadamento é uma estrutura originada pela acumulação progressiva de qualquer material (partículas clásticas, precipitação química ou decantação de coloides floculados, cristais em suspensão no magma, entre outros), tendendo a formar estratos ou camadas definidas por descontinuidades físicas e/ou por passagens bruscas ou transicionais de mudanças de textura, estrutura ou quimismo. Winge (2018) aponta acamamento e acamadamento como sinônimos, assim ambas as formas podem ser utilizadas (Figura 17).

Figura 17 – (A) e(B) Acamadamento de rochas vulcanoclásticas e arenitos finos (no detalhe) do Cânion Del Colca, Arequipa, Peru; (C) Estratificação cruzada de grande porte em arenitos da Formação Botucatu, RS; (D) Acamadamento dos sedimentos na Formação Salvador. Fonte: (A) e (B) Andrea Sander; (C) e (D) Bruno Horn

Bandado/Bandeado

Branco (2015) recomenta o uso de bandado e bandamento, explicando que os dicionários Aurélio e Houaiss não registram bandado ou bandeado, nem bandamento ou bandeamento. Mas registram bandar, significando prover de banda (faixa, lista). Sendo assim o autor recomenda o uso de bandado e bandamento.

O Glossário Geológico (IBGE, 1999) e o Glossário Geológico do SIGEP (WINGE, 2018) não registram o termo bandeamento e caracterizam o termo bandamento como uma foliação metamórfica, definido como uma estrutura dada pela alternância de níveis milimétricos a centimétricos, com variação composicional e/ou granulométrica/textural da rocha. Sendo que Winge (2018) aponta que o termo bandeamento está incorreto, logo prefira bandamento (Figura 18).

Figura 18 – (A) Bandamento no Gnaisse Encantadas, RS; (B) Bandamento no Gnaisse Vila Nova, RS; (C) Bandamento em mármore do Complexo Metamórfico Passo feio, RS . Fonte: Jorge Laux

Enclave/Encrave

De acordo com o Glossário Geológico (IBGE, 1999), enclave é o corpo litológico com forma e dimensão variadas, englobado por rocha magmática da qual difere pelo aspecto composicional e/ou textural. Este glossário não registra o termo encrave.

Branco (2015) expõe que os dicionários Aurélio e Houaiss registram o termo encrave como verbete principal para designar um fragmento de rocha incluído em outra rocha, mas ambos admitem as duas formas, logo enclave ou encrave estão corretos. A Figura 19 traz exemplos de encraves/enclaves. Um detalhamento no tema, como a classificação destas feições e sua gênese, pode ser encontrado em Didier e Barbarin (1991).

Figura 19 – Exemplos de enclaves ou encraves (A) de gnaisse no Anortosito Capivarita – RS; (B) de microdiorito no granito de borda do Complexo Granítico Lavras do Sul – RS; (C) de Anortosito Capivarita no Granito Encruzilhada – RS; (D) de peridotito no kimberlito Alfeu I – RS; (E) de microdiorito em subvulcânica de Porto Alegre; (F) de Anortosito Capivarita no Granito Encruzilhada em chapa de rocha polida. Todas as rochas são do Rio Grande do Sul. Fonte: Andrea Sander

Foliação / Folheação

De acordo com Aurélio (2018), o termo foliação refere-se ao “tempo em que principiam a brotar as folhas dos gomos”. Já o adjetivo folheado em geologia: “Diz-se dos sedimentos mais ou menos metamorfizados e dispostos em forma de folhas”. Portanto, para Aurélio (2018), as rochas são folheadas, isso é, têm folheação, só que o termo folheação ele não registra, como destaca Branco (2015).

O Glossário Geológico do SIGEP (WINGE, 2018) registra foliação metamórfica, como o termo genérico para estrutura metamórfica resultante de esforços compressionais, originando planos paralelos de diversos tipos, citando como exemplos de foliação metamórfica: clivagem ardosiana; xistosidade; clivagem de crenulação; bandas de segregação metamórfica; orientação preferencial de componentes originais da rocha, como oólitos, pellets, concreções, bombas e outros fragmentos vulcânicos, seixos comprimidos e achatados paralelamente; variações composicionais e/ou granulométricas em bandas paralelas originadas ou modificadas por processos de cataclase e deformação metamórfica.

Teixeira et al. (2007) e Grotzinger e Jordan (2013), em livros-texto de geologia, registram apenas foliação e descrevem esse termo como o adequado para designar qualquer superfície planar penetrativa definida por descontinuidades, orientação preferencial dos minerais planares, agregados laminares ou alguma combinação dessas estruturas, normalmente produzidas durante o metamorfismo, em rochas deformadas ou não.

Porém, em uma definição mais abrangente, Passchier e Trouw (1996) designam foliação como o termo geral e não genético usado para definir a presença de qualquer feição planar penetrativa em um corpo rochoso, como fraturas, orientação preferencial de grãos, agregados de minerais lamelares ou alguma combinação dessas microestruturas. Por esta definição, o fluxo magmático dado pela orientação de fenocristais é uma foliação primária, ou seja, gerada durante a formação da rocha. Já o bandamento gnáissico, é uma foliação metamórfica ou secundária, gerado pela atuação conjunta de deformação e metamorfismo (Figura 20).

Figura 20 – Exemplos de foliação: (A) xistosidade; (B) foliação milonítica na Suíte Pinheiro Machado, RS; (C) Foliação de forma magmática dada pela orientação planar dos feldspatos alcalinos no Sienito Piquiri, RS. Fonte: (A) Rodrigo Cruz; (B) Jorge Laux; (C) Andrea Sander

Voçoroca/Boçoroca

O Dicionário Houaiss considera as palavras voçoroca e boçoroca sinônimos, preferindo voçoroca, pois é a forma mais usada. Branco (2015) destaca que as formas vossoroca e bossoroca não estão corretas, pois são termos de origem indígena e devem ser grafados com ç.

Lopes e Guerra (2001) definem uma voçoroca como “escavação ou rasgão de solo ou rocha decomposta, ocasionado pela erosão do lençol do escoamento superficial” (Figura 21).

Figura 21 – (A) Vista aérea de voçoroca; (B) Voçoroca. Fonte: (A) Dicionario Ilustrado Tupi Guarani; (B) Embrapa.

Aluvião, Coluvião e Eluvião

Estes nomes designam a nomenclatura dos sedimentos ou pacotes sedimentares quanto ao seu transporte e são todos do gênero feminino, portanto escreve-se a aluvião, a coluvião e a eluvião (HOUAISS, 2009; BRANCO, 2015). Branco (2015) destaca que para aluvião a tendência é usar essa palavra no masculino, tanto no Brasil, quanto em Portugal. Por uma questão de coerência, e concordando com o Volp (2021), use todas no feminino. Se o gênero feminino lhe parece muito estranho, use os sinônimos alúvio, colúvio e elúvio, que o Houaiss (2009) registra como masculinos.

Com Relação aos Nomes dos Minerais

Moscovita/Muscovita

Segundo a International Mineralogical Association, o mineral muscovita escreve-se com "u", como grafado em inglês e em francês. Antônio Houaiss registrou as duas formas, dando preferência para muscovita, que provém, segundo ele, de Muscóvia, antigo nome italiano de Moscou. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, que é a norma oficial, registra as duas formas, moscovita e muscovita, mas prefira a muscovita (Figura 22).

Figura 22 – Agregado de muscovita. Fonte: MINDAT.ORG (2021)

A correta denominação de alguns minerais está sintetizada no Quadro 1.

Referências

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Data de postagem no site: 06 de janeiro de 2022